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segunda-feira, 21 de junho de 2021

Não seja avalista nem fiador, mas se for, analise o risco

Certo dia, um grande amigo me pediu para ser seu avalista ou seu fiador (não lembro qual) no aluguel de um apartamento. Eu disse que não, justamente porque tenho como política pessoal não ser avalista de ninguém. Como ele pensava que o problema era com ele, ficou insistindo para que eu lhe dissesse o porquê da minha negativa. Diante da insistência, fiz uma amadora análise de risco com base na situação dele naquela época:

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Os 72 dias de folga do meu colega de trabalho

Antônio (nome fictício) é meu colega de trabalho e neste instante está entubado em um leito de UTI com COVID. Ele tem 69 anos e, por mais grave que seja o estado dele, tenho esperança de que ele volte para o nosso convívio.

Há muitos anos Antônio vinha acumulando dias de folgas. Seu objetivo não era usufrui-las, mas era receber uma bolada quando se aposentasse. Ele fazia isso porque onde trabalhamos, ao nos aposentarmos, podemos converter as nossas folgas em dinheiro e isso dá uma bela grana.

domingo, 16 de maio de 2021

A devolução do auxílio emergencial

Uma pessoa da minha família, que não é minha esposa nem filha, é minha dependente no imposto de renda. No ano passado, ela se inscreveu no programa do auxílio emergencial, mesmo com todo o meu empenho em desestimulá-la. Afinal, ela nem precisava dessa grana e nem tinha direito por ser minha dependente no IRPF. Como eu não podia impedi-la, ela foi lá e se cadastrou.

Ao final do ano, recebeu o total de R$3.900,00. Declarei as coisas de praxe e informei o auxílio recebido por ela. Na hora de enviar, recebi um aviso de que ela teria que devolver essa grana. Esse aviso aparece quando você envia a declaração e pede pra ver o recibo. Se você não pedir pra ver o recibo, ele não aparece.

Eu tenho um carinho imenso por ela, mas quando vi a notificação, não me contive e comecei a rir descontroladamente. Não foi um riso de deboche. Acho que foi aquele riso que chamam de "riso de nervoso". Fiquei pensando a todo instante "eu avisei que ia dar merda". A notificação foi essa abaixo:


Hoje eu dei a notícia que ela terá que devolver esse valor de uma lapada só até o dia 31 deste mês. Não há parcelamento. Faltam 15 dias e eu sei que ela não tem essa grana, mas vai ter  que arranjar. Para piorar a situação, esse auxílio que ela recebeu fez minha restituição diminuir em mais de mil reais! Considerando que ela devolverá esse dinheiro, talvez a Receita me compense em 2022 devolvendo o desconto que foi feito na minha restituição deste ano.


A sorte dela é que a Receita não aplicou uma multa nem cobrou juros sobre o valor indevidamente recebido. 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Dado é dado, emprestado é emprestado

Quando eu tinha mais ou menos 9 anos, cheguei para o meu pai para pedir dinheiro. Eu estava meio inseguro, pois achava que ele não daria os 5 reais que eu ia pedir. Então decidi chegar pra ele e ao invés de falar "pai, me dá cinco reais", falei "pai, me empresta cinco reais". Achei que isso soaria melhor aos ouvidos do velho. Ele deu a grana e falou "é pra devolver, viu?". Dei uma risada e fui embora.

Com mais ou menos uma semana depois, ele me chamou na sala. Perguntou se eu tinha usado o dinheiro, se tava feliz com o que tinha comprado e se não estava esquecendo de nada 👀. Eu disse que tinha usado e que estava feliz, mas não estava lembrando de nada que pudesse estar esquecendo. Então ele disse que eu tinha pedido o dinheiro EM-PRES-TA-DO. Também disse que emprestado não é dado. Disse também que sabia que eu não teria com o que pagar, mas que mesmo assim me arranjou a grana só para que, num momento futuro como aquele que vivíamos na sala, pudesse me dar essa lição de que emprestado não é dado.

Como num sermão, ele disse que quando eu quisesse pedir dinheiro dado eu pedisse dado e que no dia que eu pedisse algo emprestado a alguém, que devolvesse, pois como já havia falado "emprestado não é dado"

E o tempo passou... Me tornei adolescente/jovem

Quando comecei a dirigir criei um mau hábito de pegar o carro do meu pai e a devolver só na reserva, só no cheirinho. Fiz isso meia dúzia de vezes. Até que um dia ele me chamou e disse que tinha algo a acrescentar àquela lição do dinheiro emprestado. Ele me disse que se precisar pedir emprestada alguma coisa a alguém, que devolva melhor do que recebeu. Para concluir o mini-sermão, disse que quando eu pegasse o carro dele ou de qualquer pessoa, eu o devolvesse com mais gasolina do que tinha quando eu recebi.

E foi mais uma lição que recebi do meu pai. Hoje faço desses conselhos uma realidade na minha vida. Ninguém se queixará por não ter recebido um dinheiro que me emprestou, até porque sequer o peço. Os bancos servem pra isso. Também nunca ninguém se arrependerá de ter me emprestado qualquer objeto, pois se eu puder devolver melhor do que recebi, o farei.

Por hoje é só!

quarta-feira, 10 de junho de 2020

O meu carro e o Jetta

Essa semana eu fui fazer um exame médico. Estacionei o meu carro na rua e logo à frente tinha Jetta. É um carro maravilhoso. Eu adoraria ter um daqueles. Olhei pra ele e dei um leve sorriso. Sabe aquele sorriso que você dá quando vê algo que lhe encanta? Pois é... Foi um sorriso desse.

Entrei na clínica, fiz o que tinha de ser feito e voltei pra meu carro, mas antes de chegar até ele, dei uma nova fitada naquele Jetta e decidi tirar uma foto pro blog pra gente poder trocar umas ideias sobre essa história A foto dos dois é essa aqui.


De 2015 a 2019 eu vivi uma situação de intenso endividamento. Naquela época, por conta de um acidente que deu pt, ficamos sem carro (em outro post falarei sobre o que fizemos com a indenização). Passamos 9 meses andando de ônibus e, em raríssimas exceções, de Uber.

No nono mês eu estava com 34 mil reais. Achei um KIA Cerato no OLX. O carro era lindo! Custava 44 mil reais. Peguei R$10 mil em um empréstimo consignado e em agosto de 2018 comprei o carro. Era exatamente esse da foto


Nos primeiros quinze dias era uma paixão. Eu testava cada recurso dele. Sempre que podia eu descia o pé no acelerador e fazia curvas bem sinuosas para testar a estabilidade da suspensão. Afinal, eu vinha de um Ford Focus hatch 2.0.

Conforme os dias foram passando, o Cerato foi perdendo a graça. Quando a ano virou, arquei com R$1.200,00 de IPVA. Pouco tempo depois precisei trocar dois amortecedores e meia dúzia de peças: R$2.300,00. Depois foram os pneus por R$784,00 o par. Ah! Também teve o seguro de R$3.767,42. O consumo de 8.5km/l (gasolina) também não me agradava.

Quando chegou em março de 2019 (7 meses depois da aquisição), eu parei para refletir. Comecei lembrando o quanto eu gastava com ônibus: R$147,00 por mês. Já nesses 7 meses que fiquei com o carango ele me levou R$8.051,00, o que equivale a R$1.150,00/mês (sem contar a gasolina e a depreciação). Lembrei de uma peça que deu problema. A maldita custava R$7k!!!!!! Minha sorte foi o carro estar na garantia e cobrir a troca. Para terminar, lembro da grana que eu gastava frequentemente para desempenhar as rodas de liga leve que se empenavam nas avenidas de queijo suíço que eu trafegava. O desempeno de cada roda me custava R$120,00. Rapidamente cheguei à conclusão de que eu não precisava mais de um carro caro.

Fiz o anúncio dele por R$49k e vendi por R$48k (o cara se apaixonou pelo carro e eu lucrei R$4 mil). Com o dinheiro da venda eu quitei os R$10k do empréstimo, comprei um Ford Ka+ 2015 por R$30.100,00 e o resto da grana abati o financiamento do meu apartamento.

Saí de um aro 16 para um aro 14 com pneus mais em conta. Estou fazendo 10,5km/l na gasolina. O seguro do meu Ka+ me custou R$1.600,00 e o IPVA R$825,00. O Ka+ tem a mesma quilometragem do KIA, mas não me deu sequer uma dor de cabeça com troca de peças. Suas rodas são de aço com calotas, não de liga leve.

Quando olhei para aquele Jetta na rua, fiquei encantado, mas quando lembrei do quanto gastei com o meu Cerato... Só vinha o sentimento de repulsa.

A cada vez que eu abastecia, me batia um desânimo. Sério. Comecei a pensar porque eu queria aquela potência de motor para andar na cidade que limitava a velocidade a 60km/h. Eu viajava, mas era raro. Quando eu recebia o orçamento de um concerto, era uma tristeza, um arrependimento. Os valores do seguro e do IPVA eu sabia antes de comprar, mas fiquei me enganando pois pensava "mas ele é um excelente carro, vai valer a pena!". Descobri que não vale.

Para concluir, assim como admirei aquele Jetta, admiro os carros do condomínio onde moro, mas só admiro. Se um dia eu quiser sentir o prazer de dirigir um, eu alugo.

Por hoje é só.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O hambúrguer de 30 reais

Eu, minha esposa e duas primas dela estávamos aqui em casa. Uma prima chamarei de Maria e outra de Joana. Era uma terça à noite. Ao longo do dia já havíamos conversado sobre diversas amenidades.

Começamos a falar sobre finanças. Iniciei contando sobre uma situação de endividamento que vivi, mas que consegui sair. Maria, apesar de visivelmente constrangida, falou que estava com umas dívidas. Sem que eu pedisse mais detalhes, seguiu adiante e disse que era um parcelamento do crédito rotativo em 36x. Joana falou "nossa! eu não sabia que o rotativo parcelava tanto. O que fiz há pouco tempo foi em 24x".  Me segurei para não rir de nervoso.

Perguntei qual a taxa do rotativo. Ambas disseram que nunca foram atrás. Perguntei porque não faziam um empréstimo com taxa de 3%a.m para quitar o rotativo. Responderam que "era complicado e que daria muito trabalho ir na agência resolver isso". Desisti.

Conversa vai, conversa vem e Joana confessou que além do rotativo em 24x, tinha o financiamento do carro e do apartamento. Agora as atenções se voltavam para ela. Antes que eu perguntasse, olhou o aplicativo do banco e viu que a taxa era 2,9%a.m. Para os padrões atuais, é uma taxa muito alta. Perguntei porque não fazia portabilidade para um banco com taxa mais vantajosa. Ela disse que o carro foi financiado no banco onde ela trabalha e que tirar de lá poderia "pegar mal". Deu dó, mas PUTZ!  Eu não sabia que ela trabalhava em um banco.

Ela contou que o banco trabalhava para clientes de alta renda. A função dela é prospectá-los. Por fim, me falou que tinha a certificação CPA-10 e já foi me explicando o que era.

Meu Deus... Como é que uma pessoa com a vida financeira ferrada atua prospectando clientes de alta renda para um banco? Aliás, como é que mesmo tendo todo o conhecimento dos produtos financeiros ainda se permite cair em tamanha cilada?

Encaminhei a conversa para um fim. Eu já estava com vergonha alheia. No final, ela convidou todos a pedirem um delivery. Abriu o ifood e achou a lanchonete que ela sempre pedia. Segundo Joana, o ifood estava dando R$5 de desconto. Assim, o hambúrguer que ela ia pedir saía por R$30,00. Caí pra trás.

Depois disso, passei a entender a vida dela de A a Z.

Por que no Brasil pagamos 3 vezes pela saúde?

O SUS é de graça, ou melhor, já está pago. Mesmo assim, somos obrigados a pagar por um sistema de saúde suplementar o qual chamamos de ...